Lugar das Emoções

O meu espaço de liberdade á emoção e sentimentos…

Provocação…

corpo de tentação


Chegou em silêncio, sem o perturbar, sem o incomodar, sem que imaginasse sequer que ela se aproximava.

De repente abriu a porta, sabia-o ali no sofá de estimação lendo os relatórios trazidos do escritório, queria mostrar-lhe como ela conseguia convencê-lo a desistir do trabalho.

Ele, surpreso, olhou-a, ficou estupefacto mas muito agradado. Deixou cair os papéis ao chão e deixou-se ficar sentado tentando perceber o que iria suceder.
Ela disse-lhe apenas: o único relatório onde te vais debruçar esta noite, sou eu!



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2009/10/20 Publicado por | Desejo | , , , , , , , , , | Deixe um Comentário

Encontro secreto

amantes


Local tinha sido escolhido de comum acordo, estavam ambos certos que seriam almas anónimas por aquelas paragens.
Suficientemente longe dos caminhos cruzados diariamente, suficientemente perto para poderem regressar rapidamente ao seu mundo diário. O secretismo do encontro era apenas mais um condimento daquele momentos que se queria especial.

Com o seu saber feminino, ela tinha proposto o que ele há muito desejava. Teria sido mais comum ser ele a propor, mas a relação de ambos sempre tinha sido pautada pela surpresa, pela recusa às convenções e pelo desejo arrebatador.

Os momentos vividos permitiram matar saudades passadas e aumentar as saudades que sentiram no momento da despedida. Aquele tinha sido apenas um pequeno momento para tudo aquilo que desejavam, e ao mesmo tempo um momento de enorme intensidade. Curto mas intenso. Pouco mas necessário. Incompleto mas motivador.

Duro foi retomar a vida no fim.
Ambos percebiam o desconforto da despedida e a dureza do afastamento, mas conseguiam também entender que aquilo que tinham eram demasiado bom para desistir. Afinal essa despedida significava voltar aos caminhos cruzados diariamente, onde… por razões inauditas, ainda não lhes era permitido viver o amor e paixão que os unia, sendo necessário manter sigiloso… e discreto… tão profundo amor.
Um pouco mais de paciência e de sonho era tudo o que precisavam para continuar um percurso sinuoso e lento que um dia os levaria a novas paragens bem menos secretos e bem mais calmas.




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2009/10/20 Publicado por | Amor, Desejo | , , , , , , , , , , , | 2 Comentários

Arte de Amar

CASAL NA CAMA DE LENÇOL VERMELHO


Tal como o povo, tal como o juiz
e o selecto senado se rendem à eloquência,
à arte embaladora das palavras
as mulheres não opõem resistência.
Mas os recursos oculta do teu verbo;
evite o teu discurso o tom pedante.
Só um pobre de espírito faria
um pomposo discurso à sua amante.
Muitas vezes foi uma carta causadora
de se tornar odioso o seu autor.
Que o teu estilo seja natural
e as palavras comuns, embora ternas.
À mulher que escreveres procura dar
naturalmente a impressão
de que te está a ouvir falar.

Despoja-te do orgulho
se queres ser amado longo tempo.

O amor ainda jovem é inseguro,
o uso o fortifica e o tempo o torna firme
se o amante o souber alimentar. […]
Que a tua bela se habitue a ti! […]
Que a tua amiga te veja e ouça sempre.
Que a noite e o dia lhe mostrem o teu rosto.

É no leito, acredita,
que a Concórdia, sem armas, eternamente habita.
A cama é o lugar onde nasce o perdão.
As pombas que ainda há pouco se batiam
unem os bicos e o seu arrolhar
é o amor a falar.

Nasce o prazer naturalmente e não
duma artificial provocação.
Para que jorre a fonte do prazer
é necessário que o homem e a mulher
igualmente o partilhem.
Odeio o coito quando não é mútua
a desvairada entrega dos amantes.

Apressar o termo da volúpia,
acredita, não é conveniente,
mas depois de atrasos que a demorem
chegar à meta insensivelmente.
E antes de encontrares aquela região
onde as carícias têm melhor acolhimento
não te impeça o pudor de a afagar.
Como os raios do sol quando são reflectidos
no espelho da água transparente,
nos olhos da amante, esse trémulo brilho
tu verás cintilar.
Depois virão as queixas, os gemidos,
doces rumores, um murmúrio terno,
as palavras que convêm ao amor.
Mas as velas não abras mais do que a tua amiga
não a deixes para trás e que ela se antecipe
à tua marcha também não lhe concedas.
Que a meta seja atingida ao mesmo tempo.
São guindados ao cume da volúpia
o homem e a mulher quando vencidos
ficam na cama, sem forças, estendidos.
Se o vagar deixa toda a liberdade
e o medo não obriga a apressar o acto,
eis a conduta que convém seguir.
Mas se houver perigo no tardar,
a toda a força mete os remos
e dá de esporas ao cavalo
lançado a toda a brida.

(Arte de Amar, Ovídio (43 a.c. – 17 d.c.))
tradução de Natália Correia e David Mourão-Ferreira




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2009/10/19 Publicado por | Amor, Desejo | , , , , , , , , , | 2 Comentários

   

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